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Opiniões sobre o Brexit na América Latina

No primeiro estudo analisando as seis maiores economias da América Latina e as opiniões de suas respectivas populações sobre o Brexit, a Sherlock Communications, em parceria com a Toluna Analytics, encontrou uma mistura de confiança e confusão, dúvida e desinteresse, e visão crítica sobre a  política de imigração do Reino Unido.

Alguns dos resultados são consistentes em todas as regiões, como a crença de que o Reino Unido ficará mais forte após o Brexit. outras questões produziram respostas conflitantes, comoa ideia de que a decisão de deixar a União Europeia era “sensata” e que o país será mais/menos influente trabalhando sozinho do que fazendo parte de uma aliança continental.

Seguem abaixo breves desdobramentos do comércio atual, bem como atitudes em relação ao Brexit de cada um dos seis países estudados:

Relatório de Estudo do Brexit

A influência internacional do Reino Unido após o Brexit

Estes são os resultados das seguintes perguntas:

  • Na sua opinião, a saída do Reino Unido da União Europeia torna o país mais poderoso ou mais enfraquecido internacionalmente?
  • Você acha que o Reino Unido isoladamente vai ter mais poder na negociação de acordos de comércio com o seu governo do que se fizesse parte da UE?

Opiniões sobre o Brexit e seu impacto na influência britânica na América Latina

Estes são os resultados das seguintes perguntas:

  • Você acha que foi inteligente a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia?
  • Você acha que a saída da União Europeia vai tornar o Reino Unido mais ou menos influente no seu país e no resto da América Latina?

Intenção futura de comprar produtos do Reino Unido

Estes são os resultados da seguinte pergunta:

  • Você acha que você (ou o seu negócio) vai comprar mais ou menos produtos do Reino Unido nos primeiros cinco anos após a saída do Reino Unido da UE?

Percepções sobre a política de imigração do Reino Unido

Estes são os resultados das seguintes perguntas:

  • Você acredita que o governo britânico trata a imigração de forma justa (incluindo de pessoas do seu país)?
  • Você já evitou comprar um produto ou serviço do Reino Unido nos últimos 12 meses por causa do tratamento do país aos imigrantes?

Análise do País

Argentina

Terceira maior economia da América Latina, a Argentina tem uma quantidade imensa de recursos naturais, uma base industrial diversificada e um setor agrícola que visa a exportação.

Na pesquisa que desenvolvemos, mais de 60% dos argentinos entrevistados responderam que o Reino Unido ficará mais forte depois do Brexit. No entanto, apenas 32% acham que os britânicos tomaram uma decisão “sensata” ao deixar a UE, contra 38% que acham o oposto. Cerca de 16% se declararam indiferentes. Mais entrevistados acreditam que a influência do Reino Unido vai diminuir (34,4%) ao invés de crescer (29%).

A opinião dos argentinos é mais convergente no que se refere à política externa. Mais de 40% acreditam que o governo britânico não trata os imigrantes de maneira justa, e outros 35% acreditam que a política de imigração do Reino Unido afeta negativamente a capacidade do país de vender seus produtos e serviços. Apesar disso, somente 11% optaram por não comprar produtos britânicos em decorrência de tal política.

Perspectiva Comercial

Em 2016, a Argentina era o quarto maior destino das exportações britânicas na América do Sul. As exportações de produtos do Reino Unido totalizaram US$ 792 milhões (615 milhões). No topo da lista, estão equipamentos médicos e farmacêuticos. Os produtos argentinos mais vendidos no Reino Unido são resíduos da indústria alimentícia e forragem para animais.

Brasil

Com uma população de 207 milhões, o Brasil é o maior da América Latina e representa mais da metade do PIB regional. Ele também tem a quarta maior renda per capita da América do Sul. Recursos naturais abundantes e uma base industrial bem desenvolvida, combinados com padrões elevados de pesquisa científica e um capital humano respeitável tornam bastante significativas as oportunidades econômicas e de desenvolvimento no país.

Assim como na Argentina, mais de 60% dos brasileiros acreditam que o Reino Unido ficará mais forte após o Brexit, 39% considera que a decisão do Reino Unido de deixar a Europa é “sensata”, enquanto 42% acredita que o país será capaz de negociar acordos melhores quando trabalhar sozinho do que como membro da UE.

A visão dos brasileiros é menos positiva quando se trata da política de imigração: mais de um em cada cinco entrevistados já se recusou a comprar produtos britânicos por causa do tratamento dado pelo governo do Reino Unido aos imigrantes.

Perspectiva Comercial

Tal tendência pode vir a prejudicar o Reino Unido, considerando que o Brasil é tradicionalmente o mais importante parceiro comercial do país na América Latina. Em 2016, o valor do comércio entre os dois países foi de US$ 7 bilhões (£5.4 bilhões) em bens e serviços. As maiores exportações do Reino Unido para o Brasil incluem maquinário, veículos, produtos farmacêuticos e químicos, enquanto o Brasil exporta soja, petróleo e minério de ferro para o Reino Unido.

Chile

O Chile é visto como o mercado mais competitivo da região. Com governos eficientes, instituições fortes e baixo nível de corrupção, o Chile vem subindo no ranking de índices internacionais de negócios e competitividade. De acordo com o Banco Mundial, o Chile é o país da América Latina onde é mais fácil fazer negócios.

Em consonância com o resto da região, 60% dos chilenos acreditam que o Reino Unido será mais forte depois de sair da UE. Apenas a Colômbia teve uma porcentagem maior do que os 44% de chilenos que acreditam que a decisão de deixar a Europa “não é sensata”. Embora tal decisão possa não ser vista pelos chilenos como sensata, eles acham que o Reino Unido terá maior vantagem na mesa de negociações. 46% dos entrevistados acreditam quea Grã-Bretanha será um negociador com mais poder. No que se refere à imigração, os chilenos em geral estão divididos: 39% acham que o tratamento dispensado pelo governo britânico aos imigrantes é justo e 36% pensam o contrário.

Perspectiva Comercial

O Reino Unido é o sexto maior investidor estrangeiro no Chile, importando cobre, outros metais e comida processada. O Chile, por sua vez, é o segundo maior destino de exportações do Reino Unido para a América do Sul, enviando petróleo bruto, maquinário industrial, carros e bebidas. As exportações do Reino Unido para o país em bens e serviços totalizaram US$ 1.01 bilhão (£792 milhões) em 2016.

Colômbia

A Colômbia é uma das histórias recentes de maior sucesso na América Latina, com um crescimento do PIB elevado. A previsão é do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de que país cresça 4.1% em 2019. A resiliência econômica e aumento da renda tem sido resultado de políticas econômicas sólidas. Setores como agricultura, transporte, serviços financeiros e construção apresentam a maior promessa de crescimento imediato.

Em resposta recorde no continente, 46% dos colombianos consideram que a decisão do Reino Unido de deixar a UE “não é sensata”, apesar de 65% dos entrevistados acreditarem que o país será mais forte depois do Brexit.Somente o México registrou resultados mais positivos no que se refere à força pós-Brexit do Reino Unido. No entanto, enquanto 55% dos colombianos acham que a Grã-Bretanha estará em uma posição de negociação mais forte ao se separar  da UE, 38% acreditam que o país europeu será menos influente na Colômbia e no resto da América Latina.

Perspectiva Comercial

Existe uma relação de negócios bem estável entre a Colômbia e o Reino Unido, com mais de 100 empresas britânicas operando no país, incluindo marcas conhecidas como Virgin e BT. As exportações do Reino Unido para a Colômbia são relativamente pequenas US$ 669 milhões (£522 milhões) em 2016. Os produtos mais exportados para a Colômbia são whisky, produtos farmacêuticos, maquinário e produtos químicos, enquanto os britânicos importam combustível, minérios, ferro-níquel, carros e aparelhos elétricos.

México

De acordo com o FMI, o México é a 15ª maior economia do mundo. Analistas do Banco Mundial estimam que a economia do país será a quinta maior até 2050. O México, com um PIB per capita maior que o resto dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), já é uma potência manufaturadora, devido ao crescimento anual dos seus setores aeroespaciais e de veículos. O México responde por mais de 60% de toda a exportação de produtos manufaturados da América Latina e se beneficia enormemente de sua rede de acordos de comércio, especialmente com os Estados Unidos e o Canadá.

Os mexicanos parecem ser muito positivos sobre o possível impacto do Brexit no Reino Unido: 70% deles acreditam que o país será mais forte depois de se separar da União Europeia. Nenhum outro país pesquisado apresentou teve valores tão altos neste quesito.

O México também teve o maior número de entrevistados que acreditam que a decisão de sair da UE é “sensata”: 42%, uma parcela bem maior do que na Argentina, Colômbia e Chile, por exemplo. Nenhum outro país demonstrou tal crença num aumento da influência britância pós-Brexit. Quase 58% dos mexicanos acreditam que o Reino Unido será um negociador mais forte depois de sair da UE e  46% acham que o país será mais influente no México e na América Latina.

Perspectiva Comercial

Em 2016 o comércio entre o Reino Unido e o México foi de US$4.9 bilhões (£3.8 bilhões), com exportações britânicas de bens e serviços aumentando para US$ 2.4 bilhões (£1,9 bilhão. Os produtos britânicos têm tido presença significativa no México, e várias empresas do Reino Unido operam no país, incluindo HSBC e GlaxoSmithKline. Esse crescimento está previsto para continuar no setor de serviços, especialmente no mercado de varejo e atacado.

Peru

O crescimento econômico do país foi em média de 5,9% na última década, dando ao Peru a taxa mais alta de crescimento na América Latina.

O Peru tem vastas fontes de recursos naturais e um compromisso com o livre mercado, posicionando-se como um dos países mais abertos a investimentos na região. Na última década, o Peru se beneficiou do crescimento alto e uma baixa inflação. A tradição de políticas econômicas estáveis e prudentes, assim como as reformas estruturais vêm favorecendo projetos de investimentos avaliados em mais de US$ 38,5 bilhões (£30 bilhões).

Os peruanos têm quase tanta confiança no poder do Reino Unido pós-Brexit quanto os mexicanos, com 69% dos entrevistados acreditando que a Grã-Bretanha emergirá mais forte depois de se separar da UE. A quantidade daqueles que consideram a decisão “sensata” não é tão impressionante, no entanto, com a porcentagem caindo para 40%, enquanto outros 39% julgam que sair da UE “não é sensato”. 36% dos peruanos acham que a influência do Reino Unido pode diminuir. Outros 38% acreditam não apenas que a influência do país crescerá, mas que também será mais forte quando se tratar de negociação de um acordo com o país (51%).

Perspectiva Comercial

Em 2016, o comércio de bens e serviços entre o Reino Unido e o Peru foi de US$ 719 milhões (£561 milhões). Os produtos mais exportados do Reino Unido para o Peru foram bebidas, álcool e vinagre, caldeiras e maquinários, e veículos. O Peru, por sua vez, exportou commodities, em especial cobre, ouro, petróleo e derivados, e zinco.

Comércio Internacional na América Latina

Clique na bandeira para uma discrição específica de cada país

Conclusão

Como evidenciado, os latino-americanos têm opinião amplamente positiva em relação às perspectivas  do Reino Unido pós-Brexit. Em geral, espera-se que o domínio e a influência do país cresçam, assim como o seu poder de barganha na mesa de negociações.

Isso não significa, no entanto, que o Brexit seja considerado uma boa decisão. Mesmo o México, de onde vieram as respostas mais positivas teve um número virtualmente idêntico de respostas negativas.

As percepções e as respostas  dos latino-americanos sobre a política de imigração do Reino Unido também diferem. A maioria dos mexicanos (51%) acredita que o tratamento do governo britânico aos imigrantes é inteiramente justo. Colômbia, Peru e Chile concordam. Os argentinos consideram o tratamento injusto e os brasileiros são os que mais demonstraram maior  intenção de boicotar produtos e serviços britânicos por esta razão.

Para concluir: a “Brand Britain” pode ser sólida na América Latina mas ela não é inatingível. Políticas públicas podem impactar mais do que apenas os imigrantes, e as empresas britânicas devem ter isso em mente.

Toluna
Pesquisa conduzida pela Toluna através de perguntas online com 3000 consumidores latino americanos no Brasil, México, Argentina, Colômbia, Peru e Chile entre 17 e 18 de julho de 2018. A pesquisa foi desenvolvida com o uso do QuickSurveys, a plataforma on-demand, real-time da Toluna projetada para pesquisa imediata e automatizada que dá acesso a consumidores de todo o mundo.